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O universo do café: torras, grãos e saúde

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A dança das cores: a diferença entre as torras

De acordo com o próprio nome sugere, “torras”, trata-se de um processo que usa calor para transformar os grãos de café verdes e crus nos grãos de café marrons e aromáticos de que tanto gostamos.

Nesse processo de torrefação dos grãos é que o café libera o aroma e o sabor que os grãos verdes possuem. De maneira que os grãos são rapidamente aquecidos a uma temperatura interna muito alta (acima de 200 graus Celsius) e, em seguida, resfriados rapidamente.

Será nessa etapa que o processo de torrefação irá remover quase toda a umidade dos grãos, tornando-os mais leves e crocantes ao toque. 

Em seguida, os grãos finalmente irão exalar o aroma do café que irá compor sua xícara e, após um período de repouso de 2 a 3 dias, estão prontos para serem moídos e preparados. 

Qual a diferença entre os diferentes tipos de torra de café?

(Dreamstime)

Os diferentes níveis de torra que você vê nas embalagens de café se referem ao ponto em que o processo de torra é interrompido, à medida que os grãos progridem ao longo do espectro. Uma regra geral a se ter em mente é que quanto mais tempo você torra, mais se distancia dos sabores naturais do grão original — influenciando o sabor, o aroma e o corpo final da sua xícara.

Tipos de torras

As torras de café se enquadram em três categorias principais: clara, média e escura. 

Torras claras

São as que tornam os grãos levemente torrados. Em geral, os grãos apresentam uma aparência seca e pálida (normalmente um marrom muito claro). 

Isso porque os grãos foram submetidos a menos calor, de maneira que há poucas alterações, retendo mais de suas qualidades originais, sejam elas frutadas, de nozes ou outras notas complexas provenientes da planta do café. Há maiores níveis de acidez, baixos níveis de amargor, e o café pode oferecer um delicado equilíbrio de sabores complexos, além de conservar seu aroma natural, oferecendo menos corpo (espessura) do que torras mais escuras.

Torras médias

Os grãos de torra média oferecem, em geral, um perfil muito mais adocicado do que os de torra clara. 

Apesar de algumas das características naturais do grão serem desenvolvidas, outras serão atenuadas, como a acidez e certas notas de café. 

Os grãos das torras médias apresemtam um sabor mais pronunciado pelo processo de torra, como a doçura.

Em relação ao toque, os grãos são mais secos e menos oleosos do que os grãos de torra escura.

Contudo, depois de um período de torra mais longo, os grãos apresentam mais sabor, em razão do processo (doçura) e podem perder algumas das características naturais do grão (acidez e notas de café). 

Os grãos de torra média são secos ao toque, bem como apresentam cor marrom-médio,  além de oferecerem um corpo mais encorpado com um toque de amargor na xícara, dependendo do estágio de torra. 

Na verdade, é a opção mais popular para muitos cafés especiais, oferecendo um bom equilíbrio entre acidez, sabor original e doçura. 

Os níveis de acidez moderados, porém presentes, há boa quantidade de nuances de sabor e complexidade provenientes dos grãos originais, além de níveis mais elevados de doçura, sem serem enjoativos.  O nível médio de amargor é frequentemente contrabalançado por outras características.

Os grãos de torra média geralmente oferecem um perfil muito mais adocicado do que os de torra clara.

Torras escuras

Os grãos torrados escuros, naturalmente sofrem bem mais quantidade de alterações químicas. As características desses grãos são provenientes do próprio processo de torrefação, como maior amargor e corpo.

Muitas pessoas  constumam seu paladar  com esse tipo de grãos de café de qualidade inferior, que possuem poucas ou nenhuma qualidade especial. Daí o efeito de mascaramento não é necessariamente ruim. 

As grandes redes de cafeterias aproveitam dessa falta de experiência do degustador e apresem este café como encorpados e amargos. Os grãos das torras escuras têm níveis mínimos de acidez, altos níveis de amargor e pouquíssimas nuances delicadas de sabor, e a doçura é bastante reduzida. 

Geralmenete as notas são mais salgadas, como chocolate ou alcaçuz, o corpo é mais denso e, por vezes, um sabor residual mais intenso.

O que é a regra do café 15-15-15?

A regra do café 15-15-15 (ou regra dos 15s) é uma diretriz de frescor e qualidade usada por baristas e amantes de café para garantir o máximo de aroma e sabor.

Observe: 

Grãos verdes: 15 meses: o grão de café é cru (não torrado) e mantém suas propriedades ideais por até 15 meses após a colheita.

Grãos torrados: 15 dias: o café torrado atinge o seu ápice de sabor e óleos aromáticos nos primeiros 15 dias após a torra.

Café moído: 15 minutos: Onesse caso, o café já moído deve ser extraído (passado) em até 15 minutos, pois o contato com o oxigênio faz ele perder rapidamente o aroma e as características da bebida.

Café solúvel vs café em grão, qual é o mais saudável?

(iStock)

A diferença está no preparo. O café instantâneo é preparado a partir de um concentrado, por meio do qual há um processo de secagem rápida ou liofilização, criando, assim, um extrato de café em pó.

(Magnifico)

Algumas diferenças

O teor de cafeína que no café instantâneo possui cerca de 30 a 90 mg de cafeína por xícara. Já o café moído na hora ou preparado na hora possui  mais, variando de 70 a 140 mg. 

Ou seja, a menor quantidade de cafeína está no café instantâneo.

Os antioxidantes estão em ambos os cafés. Tanto o solúvel quanto o moido possuem altos níveis de antioxidantes benéficos, como os ácidos clorogênicos, embora o café fresco retenha concentrações ligeiramente maiores.

A acrilamida que, no café instantâneo, possui níveis um pouco mais elevados. A acrilamida é uma substância química formada durante o processamento em altas temperaturas do café coado tradicional.

È importante mostrar que o colesterol e diterpenos, que estão nos café coado não filtrado, como os que são preparados na prensa francesa ou o expresso, pode sim conter óleos chamados diterpenos, cafestol e cafestol, que podem elevar os níveis de colesterol no sangue. 

O café instantâneo e o café coado em filtro de papel praticamente não contêm cafestol, sendo, portanto, mais amigáveis ​​aos lipídios sanguíneos.

Em relação aos minerais, o café fresco retém um pouco mais de potássio e magnésio em comparação com o café instantâneo altamente processado

(Dreamstime)

Café Arábica:  que o torna tão especial?

A todo apreciador de café Arábica é sempre o escolhido?

Não só porque é uma das mais populares e conceituadas do mundo, mas também, por se tratar de um café bastante especial.

O que é café Arábica?

O café arábica é uma das duas principais espécies de café mais cultivadas para consumo, e sua história remonta a 1000 a.C. Os grãos são conhecidos pelo sabor suave e complexo.

Acredita-se que as plantas de Arábica cresceram pela primeira vez nas florestas de altitude da Etiópia, entre 610 mil e 1 milhão de anos atrás.

Lá, a planta cresceu de forma selvagem nas florestas de altitude de 1.000 e 2.000 metros, da região de Kaffa, na Etiópia.

Conta-se uma lenda de que um pastor de cabras chamado Kaldi notou que os animais ficaram muito agitados e cheios de energia após comerem os frutos vermelhos de um arbusto.

Inicialmente o fruto do café arábica foi consumido in natura. Na região os agricultores comiam a polpa doce e mastigavam as folhas em chás ou faziam suco fermentado. Contudo, a infusão quente com a semente torrada veio mais tarde, popularizada por monges para ajudar nas vigílias de oração.

 Como foi a chegada do café arábica à Península Arábica?

Primeiro ocorreu a travessia do Mar Vermelho, entre os séculos XIII e XIV. Tanto o cultivo sistemático como a torrefação das sementes se desenvolveu em Iêmen e na Península Arábica.

Emseguida veio o monopólio árabe. Além de os árabes chamarem a bebida de qahwa, que significa vinho, eles também mantinham o monopólio, comercializando apenas grãos estéreis (cozidos ou torrados) para evitar que outros países plantassem muda.

Já o nome científico se deu com os europeus que conheceram e batizaram a planta comercialmente do mundo árabe. E, assim, se tornou cientificamente como café arabica .

A expansão global do café se deu na Europa, no século XVII. Os comerciantes europeus, como os holandeses, franceses e italianos, conseguiram obter mudas férteis e espalharam o cultivo para colônias ao redor do mundo.

Já, no Brasil, as primeiras mudas de café arábica chegaram ao país em 1720 ou 1727, pelas mãos dos sacerdotes, em especial, pelas mãos de Francisco de Melo Palheta. 

O cultivo dos grãos se deu no Pará, expandindo pelo Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, transformando o Brasil no maior produtor mundial.

(iStock)

O que são grãos de Arábica?

Os grãos de café Arábica se distinguem pela sua forma e perfil aromático. Os grãos , geralmente, são ovais, com uma curvatura em um dos lados. 

Os grãoss são delicadose e precisam de condições específicas de cultivo, como altitudes elevadas, entre 600 e 2000 metros, chuvas adequadas e temperaturas moderadas para prosperarem. 

O segredo está nessa sensibilidade ao ambiente. Isso contribui demais para o seu sabor complexo, que pode variar de doce e ácido a frutado e floral.

Uma curiosidade: o grão do café arábica é cultivado ao longo de toda a faixa equatorial tropical. Esse é o segredo. Os maiores produtores estão na América Central e do Sul, bem como em diversos territórios africanos e asiáticos.

Por que o café arábica domina o mercado?

É impressionante. Quase todo o café especial consumido é feito com grãos Arábica e isso não é coincidência, nem estratégia de marketing. 

O café arábica possui propriedades que o tornam muito apreciado pelos perfis de sabor complexos.

O café arábica é reconhecido pelo seu sabor requintado, sempre sendo descrito como mais doce e suave do que outras variedades. 

O café também possui diversidade de sabores e aromas, que variam de frutados e achocolatados a nuances de nozes. 

Tudo isso contribui para o seu status premium.

O que exatamente o diferencia dos demais?

Há mais de cem espécies de café. Contudo, o mercado mundial gira apenas em torno de duas: 

. o Arábica, e 

. o Robusta. 

o o robusta compõe o restante e é a base do café instantâneo e das misturas mais baratas.

O café arábica representa cerca de 60 a 70% da produção global e domina completamente o segmento de cafés especiais.

E a grande diferença está na própria planta. 

O café Arábica cresce em altitudes entre 600 e 2.000 metros, em temperaturas amenas, com chuvas suficientes e solo fértil. 

De forma que o fruto amadurece lenta e irregularmente, exigindo colheita manual. 

Outra coisa: o café arábica contém quase o dobro de açúcares e cerca de 60% mais de lipídios. Essa composição química se reflete no sabor. 

Certamente o arábica tem um sabor mais suave, adocicado e complexo, com notas de frutas, flores e nozes que variam de acordo com a origem e o processamento. 

O café arábica possui sabores complexos

O café arábica é conhecido por seu sabor complexo. 

Levando em conta sua variedade específica e de onde é cultivado, o café arábica pode apresentar uma variedade enorme de sabores. 

É possível que algumas variedades tenham um sabor frutado ou floral pronunciado, enquanto outras podem ter um sabor mais acentuado de chocolate ou nozes. 

Esse conjunto de fatores levam o café arábica a ter mais complexidade e diversidade de sabores fazem de cada xícara de café arábica uma experiência única.

Em se tratando da consistência do sabor do café arábica, eese é um dos motivos pelos quais o café Arábica é tão valorizado.

Haja vista as plantas de café arábica serem autopolinizáveis. Isso quer dizer que os grãos têm um sabor consistente que o torna crucial para garantir a qualidade do café, uma vez que permite que os produtores criem um produto uniforme e que atenda aos altos padrões da indústria de cafés especiais.

Das variedades de café arábica, há inúmeras e cada uma com suas próprias características distintas. 

Veja bem. As variedades Typica, Bourbon e Geisha são as variedades mais conhecidas. Cada uma delas possui um perfil de sabor, hábitos de crescimento e resistência a doenças próprios. Essa variedade enriquece a experiência do café arábica, proporcionando um mundo de sabores para descobrir e apreciar.

Como escolher os melhores grãos de café arábica

Se você ainda não experimentou e quer comprar café arábica, vale a pena considerar o seguinte:

. data de torra: diferente de  buscar data de validade, considere  a data de torra clara. O frescor é importante quando se busca um café aromático e saboroso.

. a origem: a origem deve ser única ou de apenas uma única fazenda. Isso porque a geografia afeta o sabor.

. escolha a torra: para sabores brilhantes e delicados, uma torra mais clara é mais recomendada. Se a preferência for por sabores mais intensos, com notas de chocolate e nozes, considerea torra média ou escura.

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Considerações finais

Os grãos de café arábica lhe oferecem uma oportunidade imensa de sabores.

De cafés florais e frutados, passando por sabores achocolatados, com notas de nozes e caramelo, ninguém resiste às características do arábica.

Além disso, dependendo de sua origem, mudam-se também a variedade, o método de processamento, a torra e a técnica de preparo.

Para quem já é um consumidor perfeito dos cafés arábica ou iniciante neste mundo de sabores, experimentar diferentes origens de arábica pode ser um ótimo ponto de partida. 

Basta ter atenção às notas de degustação, à data de torra, ao método de processamento e à técnica de preparo para descobrir o que mais agrada ao seu paladar.

O melhor café Arábica não é simplesmente o mais caro, mas sim aquele cuja origem, torra, frescor e perfil de sabor combinam com o seu paladar.

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