A história humana, além de mostrar a evolução dos seres humanos, mostrou também como ocorreram os hábitos alimentares em cada época.
Isso porque a forma de preparação e o consumo de alimentos sempre ocuparam um lugar central na vida dos seres humanos.
De maneira que, para compreender o ser humano, é necessário observar seus hábitos alimentares e, posteriormente, as ferramentas criadas para o ato de alimentação.
Somente assim é possível compreender a beleza da alimentação.
Introdução
Neste novo artigo do Blog Broune vamos tratar de um assunto importante que revolucionou o ato da alimentação: a evolução dos utensílios de cozinha.
Trata-se de uma jornada fascinante que certamente vai nos levar a um período distante, mas que não o esquecemos: o Paleolítico, também conhecido como Idade da Pedra Lascada.
Vamos voltar ao período da Idade da Pedra até a Era Moderna e conhecer um pouco sobre as ferramentas primitivas feitas de pedra e argila a utensílios modernos de aço inoxidável, alumínio e cerâmica.
Isso porque a evolução dos utensílios de cozinha é e continuará a ser um processo contínuo de evolução.
Inicialmente, vamos analisar a evolução dos utensílios de cozinha que, ao longo de milhares de anos, se transformaram na tecnologia de hoje, com panelas de cerâmica à indução.
Acreditamos que, pelo menos uma vez na vida, o homem moderno chegou à sua cozinha e ao dar um simples clique para acender seu fogão, não deixou de pensar que um dia o homem primitivo precisou lascar muito a pedra para ter o fogo, e não só isso, precisou também dominar o fogo.
Os arqueólogos já mostraram evidências de utensílios de cozinha que datam da Idade da Pedra, e que ferramentas primitivas eram usadas para cozinhar alimentos em fogueiras.
Os utensílios de cozinha eram feitos de pedra, argila e madeira e usados para preparar alimentos de diversas maneiras.
Um pouco de cada tipo de panelas
A panela de barro

(Pexels)
O ato de cozinhar em panela de barro está entre as tradições culinárias mais antigas e difundidas do mundo.
Data do início da civilização, no momento em que os humanos aprenderam a moldar o barro em recipientes e a usar o fogo para cozinhar alimentos.
Em decorrência, a prática passou a ser adotada em diversas culturas em diferentes continentes e épocas, desde o antigo Egito e China até a Europa medieval e as Américas modernas.
Cozinhar em panela de barro é mais do que apenas um método de preparo de alimentos; é também uma forma de expressar cultura, identidade e criatividade.
De forma que o desenvolvimento de panelas de barro no mundo antigo foi um grande passo na evolução dos utensílios de cozinha.
Essas panelas eram feitas de argila e usadas para cozinhar alimentos em fogo aberto. Isso permitiu o desenvolvimento de diversas técnicas culinárias, incluindo ferver, cozinhar no vapor e assar.
A introdução de utensílios de metal, como cobre, ferro fundido e aço, foi outro grande passo na evolução dos utensílios de cozinha.
Panelas de bronze e cobre

(iStock)
Por que o bronze? Na verdade, o bronze é um metal forte, durável e podia ser fundido em vários formatos, o que o tornava perfeito para panelas, frigideiras e caldeirões.
Civilizações antigas como a egípcia e a mesopotâmia, por exemplo, usavam utensílios de bronze para preparar suas refeições.
Tal prática não só melhorou a alimentação desses povos, bem como sua alimentação, além de lançar bases para avanços culinários.
Tudo começou por volta de 3600 a.C., a Idade do Bronze, quando as famílias abastadas do Oriente Médio e do Mediterrâneo substituíram seus utensílios de pedra e madeira pelo bronze e cobre.
O cobre foi o primeiro metal a ser usado em utensílios de cozinha e era muito valorizado por sua capacidade de conduzir o calor uniformemente.
Panelas de ferro

(iStock)
A Idade do Ferro veio depois da Idade do Bronze, e, por essa razão, tipos mais complexos de metalurgia resultaram na produção de instrumentos mais úteis para o preparo de alimentos.
O ferro fundido era popular por ser durável e poder ser usado em fogo aberto.
A invenção dos fogões a lenha e a gás, no século XIX, revolucionou os utensílios de cozinha.
Esses novos eletrodomésticos permitiram a produção em massa de utensílios de cerâmica e ferro fundido.
Isso facilitou ainda mais a produção de utensílios de cozinha em uma variedade de formatos e tamanhos, bem como a introdução de novos materiais.
Panela de aço inoxidável

(Vecteezy)
Desde sua invenção no início do século XX, os utensílios de cozinha em aço inoxidável passaram por diversas evoluções.
As panelas em aço inoxidável passaram a ser um componente essencial na cozinha por gerações.
Inicialmente o aço foi considerado um material de luxo, mas, depois, famílias optaram por esse material, devido à sua qualidade superior, durabilidade, versatilidade, baixa necessidade de manutenção e impacto positivo na saúde e na alimentação.
Outra coisa, as panelas em aço inoxidável duravam mais do que outros materiais, como panelas antiaderentes e frigideiras de ferro fundido, e também suportavam melhor o calor, tornando-as ideais para o uso diário e ocasiões especiais.
De fato, o aço inoxidável foi uma escolha popular por ser era fácil de limpar e podia ser usado para criar uma variedade de utensílios de cozinha.
A introdução dos fogões

(iStock)
A introdução dos fogões elétricos, no século XX, revolucionou ainda mais a indústria de utensílios de cozinha.
Os fogões elétricos permitiram a produção de utensílios com diversas funcionalidades, como superfícies antiaderentes, temperaturas ajustáveis e até mesmo funções de autolimpeza.
No decorrer do tempo, os utensílios de cozinha evoluíram muito, desde os tempos das panelas de barro e caldeirões de bronze até as requintadas panelas de cerâmica.
Os utensílios modernos são feitos de diversos materiais, incluindo alumínio, aço inoxidável, cobre, metal SAS, HANOS e ferro fundido.
Considerando o tipo de alimento preparado e a técnica de cozimento utilizada, a cozinha moderna oferece o melhor dos dois mundos, pois ela alia perfeitamente o antigo ao moderno.
Como hoje sabemos, desde os primórdios da humanidade até a era moderna, os utensílios de cozinha evoluíram significativamente.
De panelas de barro a fogões elétricos, a evolução dos utensílios de cozinha tem sido um processo contínuo.
À medida que a tecnologia avança, é provável que os utensílios de cozinha continuem a evoluir e se tornem ainda mais avançados.
Parte 1
Como o ato de alimentar começou
Por definição, a cozinha é o lugar reservado ao preparo de alimentos.
A composição de uma cozinha geralmente é feita a partir de um fogão, pia para lavar alimentos e louças, além de armários e geladeiras para armazenar alimentos e utensílios.
Contudo, após os dois períodos das Grandes Guerras, a maioria dos eletrodomésticos de cozinha foi inventada para facilitar a vida da dona de casa que, nesses tempos difíceis, trabalhavam sozinhas, pois não era possível encontrar quem podia ajudá-las.
Além da criação tímida dos eletrodomésticos, com o advento da eletricidade, a cozinha começou a evoluir, propiciando a tecnologia dos eletrodomésticos de cozinha.
Mas, como era no início?

(Vecteezy)
Os primeiros ancestrais humanos eram chamados de caçadores-coletores, pois eram nômades e, por conseguinte, comiam o que estava disponível no ambiente, como, por exemplo, folhas, frutas, sementes, raízes e carne.
De tal forma que a alimentação variava de acordo com a estação, ou seja, poderiam ocorrer, muitas vezes, longos períodos de escassez.
A alimentação dos nossos antepassados tinha como base três pilares:
- alimentação por meio de plantas: registros arqueológicos mostram que raízes, tubérculos ricos em amido, nozes, frutos e sementes formavam a base da alimentação.
- ferramentas: os nossos ancestrais usavam como ferramentas pedras lascadas para cortar a carne de carcaças, acessar o tutano de ossos e esmagar vegetais duros.
- a descoberta do fogo: depois da descoberta do fogo, que foi marco revolucionário, o homem primitivo passou a assar e a cozinhar alimentos, como raízes e tubérculos e carnes.
Nesse sentido, há cerca de 200 mil anos, nossos ancestrais, ainda como nômades, se alimentavam de frutos e raízes e consumiam carne de caça, bem como consumiam o que servia de alimentos que eles encontravam pelo caminho.
E foi dessa maneira por alguns milhares de anos, até…
O início da agricultura
Muito tempo depois, há aproximadamente 10 a 12 mil anos a.C., ocorreu a mudança que influenciaria a alimentação, a cultura e até o modo de vida das sociedades: a forma de vida sedentária e a agricultura.
No início do Período Neolítico, essa mudança ocorreu devido ao início da agricultura e à domesticação de animais. O que permitiu que os grupos humanos passassem a produzir e armazenar seu próprio alimento.
Nesse diapasão, a invenção das práticas agrícolas eliminou a necessidade de mudança constante, transformando a dinâmica de sobrevivência de maneira profunda.

(Freepik)
Principais efeitos da sedentarização humana:
- crescimento populacional: em razão da alimentação mais estável de comida, houve um aumento significativo na população.
- formação de cidades: com a necessidade de cuidar das plantações e rebanhos, os nossos ancestrais passaram a se fixar em grupos,
- mudança social: com o crescimento da população em lugares fixos, resultou em divisões de trabalho, hierarquização social e estratificação.
Os primeiros grupos humanos
À medida que os primeiros grupos humanos passaram a adotar o sedentarismo, surgiram também as primeiras aldeias e povoados.
Tais aglomerações surgiram durante a Revolução Neolítica que foi há cerca de 10.000 a 12.000 a.C.
Em decorrência, o homem desenvolveu a agricultura e a domesticação de animais.
Alguns tipos específicos de assentamentos desse período:
- aldeias neolíticas: que foram agrupamentos de casas feitas de madeira, barro ou pedra, nas quais os grupos compartilhavam o trabalho agrícola e a criação de animais.
- Cidades-Estado: consequentemente, com o crescimento das aldeias, alguns locais evoluíram para núcleos urbanos independentes com governo, religião e divisão social próprios.
Lugares em que ocorreram os primeiros assentamentos:
- a atual Turquia: considerada uma das primeiras e mais conhecidas “proto-cidades” do mundo,
- A cidade de Jericó: situada na Cisjordânia, a cidade é apontada por historiadores e arqueólogos como um dos assentamentos continuamente habitados mais antigos do planeta.
- A Síria: que também começou a ser habitada por pequenos grupos sedentários durante o período Neolítico.

(Geetyimages)
Importante mencionar que essa transição ocorreu quando comunidades abandonaram o nomadismo para praticar a agricultura e a domesticação de animais, uma vez que havia uma grande região que tinha vales férteis e rios: o Crescente Fértil.

(Magnífico)
Ademais, como já mencionamos, esse novo modo de vida favoreceu e propiciou o aumento da população, que passou a se fixar nos vales férteis dos rios, formando as primeiras aldeias.
E, assim por diante, nossos ancestrais começaram a viver às margens de rios e lagos, praticando a agricultura, plantando e cultivando trigo, cevada, milho, arroz e cereais, além da domesticação de animais para a proteção das aldeias, e a criação de animais para consumo, como gado e aves.
Até os nossos dias, essa é a base da alimentação tradicional de diferentes povos por todo o planeta.
Em decorrência, a nova forma de vida proporcionou a produção de bebidas e alimentos líquidos usando cereais, caules, grãos, vagens, brotos; além de cozidos, ensopados e condimentos.
E assim surgem os utensílios de cozinha
O início
Inicialmente, os primeiros utensílios de cozinha usados pelos nossos ancestrais foram, é claro, tirados da própria natureza.
Pela necessidade de levar pedaços de alimentos menores à boca, os homens começaram a bater em pedras, a fim de criar lâminas cortantes.
Em seguida, os nossos ancestrais descobriram que poderiam também esculpir “panelas” em madeira e ossos.
À medida que o tempo passava, os antepassados da humanidade começaram a usar recipientes como cabaças ou conchas, de origem vegetal, que eram feitas a partir do fruto maduro e seco de plantas trepadeiras.
Os homens pegavam o fruto colhido, esvaziavam sua polpa e suas sementes, depois, deixavam secar até que a casca ficasse dura. Esses primeiros utensílios eram usados para transportar água.
Com o passar do tempo, esses utensílios tiveram sua evolução, ao serem levados ao fogo para forjar as primeiras panelas de cerâmica.

(Freepik)
Sintetizando a evolução em duas grandes fases:
- A Era da Pedra Lascada (Paleolítico): o homem não cozinhava, eles cortavam e trituravam.
- Facas primitivas: eram feitas a partir de fortes batidas na pedra, de maneira que uma pedra maior servia como base, e a lasca que se desprendia, tinha uma ponta afiada, usada para raspar peles e cortar carne.
A necessidade de comer
Os hominídeos começaram a criar suas ferramentas inicialmente usando matérias-primas naturais e, com o passar do tempo, desenvolveram diversas ferramentas.
Com a necessidade de comer, surgiram as atividades de cozinhar, armazenar e servir,
assim como o desenvolvimento da produção de alimentos.
Todas essas atividades precisavam de um local para serem realizadas, que mais tarde foi chamado de cozinha.
Ademais, a vontade do homem por abrigo culminou com a criação de moradias e, na sequência, a separação de uma parte da moradia para atividades relacionadas à alimentação, culminando com o desenvolvimento da cozinha.
Parte 2
Evolução dos utensílios de cozinha

(Pngtree)
A evolução dos utensílios de cozinha foi grande. Desde as pedras até as panelas de ferro, aço inoxidável e alumínio.
Tudo isso tornou nossas cozinhas mais cômodas e modernas.
Se pensarmos na evolução dos fogões elétricos e a gás, das panelas e frigideiras de aço inoxidável e métodos eficientes de refrigeração e reaquecimento, são facilmente consideradas como certas.
Certamente que a descoberta do fogo foi um grande passo rumo à invenção e, de longe, o mais importante, porque mudou a maneira de ser do homem.
Contudo, a descoberta e o controle do fogo não aconteceram em um só momento

(Magnífico)
Estima-se que o uso controlado do fogo, por ancestrais humanos, deu início há cerca de 1,5 milhão a 1 milhão de anos.
E a capacidade do homem ancestral produzir fogo foi um bom tempo depois.
E quando os hominídeos começaram a usar o fogo para preparar alimentos?
Vamos analisar a evolução dos utensílios de cozinha?

(Freepik)
Para saber como os utensílios se tornaram panelas e frigideiras que usamos hoje em nossas cozinhas, é preciso voltar um pouco no tempo.
De acordo com especialistas, as primeiras evidências de utensílios de cozinha datam da Idade da Pedra.
Tais ferramentas primitivas eram usadas para cozinhar alimentos em fogueiras que podiam ser feitas de pedra, argila e madeira.
As ferramentas mais comuns usadas nessa época eram grelhas, pilões e almofarizes.
O almofariz é um utensílio feito de paredes grossas que pode ser de pedra, metal, madeira ou porcelana, que serve para macerar, triturar e pulverizar substâncias.

(Dreamstime)
A criação de panelas de barro para os ancestrais foi um grande passo para a nossa evolução dos utensílios de cozinha.
Isso porque essas panelas eram feitas de argila e usadas para cozinhar alimentos em fogo aberto que permitiu o desenvolvimento de diversas técnicas culinárias, incluindo ferver, cozinhar no vapor e assar.

(iStock)
Os metais na cozinha
A introdução de utensílios de metal, como cobre, ferro fundido e aço, foi outro grande passo na evolução dos utensílios de cozinha.
Essa evolução ocorreu por volta de 3600 a.C.

(Dreamstime)
A Idade do Bronze não começou no mundo ao mesmo tempo. Contudo, surgiu primeiro no Oriente Próximo (Mesopotâmia), por volta de 3300 a.C.
No momento em que as civilizações transitavam da Idade da Pedra para a Idade do Cobre e para a forja do bronze.
No Oriente Próximo e na Mesopotâmia ocorreu por volta de 3300 a.C.
Na Grécia e no Egito, aproximadamente 3000 a.C. a 3150 a.C.
Na China por volta de 1600 a.C., e
na Grã-Bretanha e Norte da Europa, por volta de 2000 a.C. a 1900 a.C.
Na Idade do Bronze, tudo começou quando famílias abastadas do Oriente Médio e do Mediterrâneo substituíram seus utensílios de pedra e madeira por utensílios feitos de bronze e cobre.
Como foi o primeiro metal usado em utensílios de cozinha, o cobre era muito valorizado por sua capacidade de conduzir o calor uniformemente.
Já na Idade do Ferro, pós Idade do Bronze, os tipos mais complexos de metalurgia resultaram na produção de instrumentos mais úteis para o preparo de alimentos.
De maneira que o ferro fundido era popular, mais durável e passou a ser muito usado em fogo aberto.

(Pngtree)
Da mesma forma que o Bronze, a Idade do Ferro também não começou de forma única no mundo.
O que ocorreu foi uma transição de ferramentas e armas de bronze para ferro em diferentes épocas, à proporção que o homem aprendia a forjar ferro.
No Oriente Próximo e Mediterrâneo Oriental, por exemplo, foi por volta de 1200 a.C., na Europa, por volta de 1000 a.C., na Europa Central, chegando ao norte da Europa e à Grã-Bretanha, por volta de 500 a.C.
A criação e revolução dos fogões

(Pngtree)
A criação dos fogões a lenha e a gás no século XIX revolucionou os utensílios de cozinha.
A verdade é que, durante o século XIX, o fogão de cozinha passou por uma grande transformação.
Ou seja, já não precisava mais de fogões com lareiras abertas. Os fogões passaram a ser fabricados em ferro fundido.

(Dreamstime)
E o melhor é que esses fogões, além de bonitos e ornamentados, tinham dupla função: aquecia a casa e cozinhava alimentos.
Já no final do século XIX, os fogões a gás também começaram a surgir.

(Dreamstime)
Fogões de indução
Os fogões de indução surgiram no início do século XX. Mas a sua aceitação não foi imediata, uma vez que os preços eram muito elevados, além da necessidade de mudança de utensílios de cozinha específicos.
De maneira que os fogões de indução só ganharam aceitação e popularidade pelos consumidores nos últimos anos, graças à tecnologia aprimorada, aos custos mais baixos e à maior preocupação com a saúde.

(iStock)
Hoje, os utensílios de cozinha evoluíram muito, desde os tempos das panelas de barro aos caldeirões de bronze.
Há uma diversidade de materiais nos quais, esses utensílios modernos, podem ser feitos, incluindo alumínio, aço inoxidável, cobre, metal,ferro fundido e cerâmica.
Levando em conta o tipo de alimento preparado e a técnica de cozimento usada, a cozinha moderna oferece o melhor.
Breve história dos talheres

(Pngtree)
A evolução dos talheres se deu ao longo de muitos anos, desde que os nossos ancestrais deixaram de comer com as mãos para usar ferramentas específicas.
Introdução concisa
- facas: no início, eram pedras afiadas para caçar e esfolar animais. Era comum também a alguns comensais usarem suas facas de caça pessoais à mesa para cortar carne.
- colheres: foram desenvolvidas logo após as facas, cujas versões eram esculpidas em madeira, osso ou conchas.
- garfos: foi a última adição ao conjunto de talheres. Os primeiros garfos surgiram no Antigo Egito e eram usados como utensílios de cozinha. Contudo, o garfo só ganhou aceitação durante o Renascimento.
Panela, rainha da cozinha
Como já formamos bastante nosso entendimento sobre utensílios de cozinha, vamos falar agora sobre um item muito necessário e que surgiu também já há muitos anos, marcando uma verdadeira revolução na cozinha: as panelas
Novamente, não podemos dizer que as panelas foram criadas apenas em uma determinada época, tampouco por um única pessoa.
Foi uma evolução.
De acordo com estudiosos, há uma estimativa de que a cerca de 500.000 a 20.000 anos, a.C.
Como já foi dito, no início, nossos ancestrais usavam cascas de tartaruga e pedaços de madeira escavados para cozinhar grãos e amaciar alimentos na água.
O caminho que as panelas percorreram foi longo. Na verdade, uma longa jornada até chegarem às cozinhas modernas.
Fazendo uma rápida delimitação do tempo
Era do barro
As primeiras panelas usadas na Pré-História, há milhares de anos. No início o homem usava cascos de animais e pedras ocas.
Contudo, por volta de 20.000 anos a.C, surgiram os vasos de cerâmica que serviam para cozinhar alimentos, em água fervente, gerando uma grande revolução na alimentação humana.
Era dos Metais
Há cerca de 2.500 a 3.000 anos a.C. foi a vez das panelas de metal, tendo os egípcios os primeiros a fabricar as primeiras panelas de ferro fundido.
Com o advento da metalurgia deu origem aos primeiros caldeirões em formato de protótipos de panelas.
Panelas de ferro fundido
Na Idade Média, nos séculos V ao XV surgiram as panelas de ferro fundido que se tornaram populares, sendo muito valorizadas e transmitidas de geração em geração.
Panela de pressão
No século XVII, surgiu a primeira versão da panela de pressão, que foi criada em 1679 pelo físico Denis Papin.
Panelas de alumínio
Nos séculos XX e XXI ocorreu a inovação: a criação de panelas de alumínio. A adesão foi muito grande e se popularizou no início do século XX, em razão da leveza e alta condutividade térmica.
Panelas de revestimento antiaderente
Já na década de 1950, foi a vez das panelas com revestimento antiaderente.
Contudo, esse tipo de panela não é muito recomendado, pois, as panelas com revestimento antiaderente possuem uma superfície lisa (como Teflon/PTFE ou cerâmica) que impede que os alimentos grudem e, por conseguinte, facilita a limpeza.
No entanto, elas se degradam com o tempo, exigem cuidado e devem ser usadas apenas em fogo baixo a médio para evitar a liberação de vapores tóxicos.
O Conceito de Mentalidade e o que é a cozinha hoje
Para a História e a Sociedade, o Conceito de Mentalidade é uma vertente – associada à Escola dos Annales – que se refere às formas de pensar, sentir e agir de pessoas comuns ou a um grupo social em determinado período da Historiografia. Tal Conceito teve como ponto de partida a Escola dos Annales, fundada na França em 1929.
Como vimos neste artigo, houve uma grande evolução dos utensílios de cozinha e, por essa razão, torna-se interessante apresentar este conceito criado por dois historiadores franceses, Marc Bloch e Lucien Febvre, que romperam com uma história política tradicional, direcionada apenas aos grandes acontecimentos.
A História das Mentalidades se tornou um dos pontos mais importantes ao estudar a história da nossa civilização, uma vez que ela busca compreender como o homem do do passado pensava, sentia e, desse modo, perceber a evolução do mundo ao nosso redor. Daí a importância desse conceito e a evolução dos utensílios.
Percebemos as transformações que o homem passou, à medida que evoluíram os utensílios.
Para Marc Bloch, a história não pode ser compreendida apenas através de eventos, mas deve incluir a análise das ideias e crenças que moldaram a vida das pessoas.
Tal perspectiva ampliou a extensão da pesquisa histórica e incentivou os historiadores a considerar uma variedade de fontes, incluindo Literatura, Arte, Sociedade e Cultura.
A História das Mentalidades é um campo de estudo que investiga os costumes, tendências e o comportamento humano ao longo do tempo.
Em relação às panelas, a História das Mentalidades estuda os utensílios domésticos, como fogões, panelas e talheres muito além de meras ferramentas: eles são os maiores indicadores de nossa evolução social, cultural e sanitária.
A forma como cozinhamos nos faz refletir como o homem passou a controlar a natureza, a interagir em sociedade e a controlar os próprios instintos.
Como tudo evoluiu, desde as primeiras lascas de pedra, passando pelas panelas de ferro, aço inoxidável e alumínio, até chegar a sofisticação das panelas do nosso tempo.
Vivemos numa sociedade muito mais cômoda e acessível, especialmente na nossa cozinha, devido a busca, o trabalho, a forja e a inteligência dos nossos ancestrais.
Por isso, o Blog Broune decidiu criar um artigo no qual o ponto central seria criar uma linha no tempo com a perspectiva de apresentar aos nossos leitores, quais foram as relações do homem com o alimento do início da nossa civilização até os dias de hoje.
A criação das primeiras panelas (inicialmente de barro e depois de metais fundidos), há milhares de anos, não serviu apenas para esquentar a comida.
Mas a transformação que permitiu ao homem o conhecimento para misturar e amolecer alimentos duros, até chegar ao afeto e a identidade que hoje o ato de cozinhar representa.
A cozinha passou a ser o ritual de união do grupo.
Por isso, é interessante citar o historiador José Antônio Dias Lopes que destacou o fato de um instrumento como a panela permitir a criação de raízes e tradições culturais transmitidas de geração em geração.
Por outro lado, também o historiador Norbert Elias explica que a introdução dos talheres na Europa foi um processo lento de civilização dos costumes, no qual a sociedade passou a criar importantes regras de etiqueta.
Há também simbolismos com os utensílios.
É o que acontece com a faca. Historicamente, a faca de pedra foi o primeiro utensílio, contudo, na mesa ela servia tanto para cortar a carne quanto como arma de defesa.
Era muito perigoso ter convidados armados jantando. Por essa razão, a monarquia, principalmente a francesa, exigiu que as facas de mesa tivessem pontas periféricas.
O hábito original de comer com as mãos já existia e começou como os nossos ancestrais.
Era comum os pratos serem colocados em travessas compartilhadas e as pessoas usavam os dedos para comer.
Outras vezes, o pão já funcionou como prato ou apoio para o alimento.
De maneira que, aos poucos, a sociedade começou a perceber que as mãos podiam estar sujas, e comer dessa forma representava um comportamento primitivo.
E como vimos, o garfo foi o último talher a ser adotado.
A crença antiga não gostava desse utensílio por achar que o alimento sagrado não deveria ser espetado.
O garfo só se popularizou na corte renascentista, quando a aristocracia passou a usá-lo para evitar sujar as mãos com caldas e molhos gordurosos.
Já a colher, ao contrário da faca, sempre teve o propósito pacífico de sorver líquidos e caldos.
Em síntese, a História das Mentalidades mostra que as panelas foi um mecanismo de compartilhamento de alimentos e de transformação na sociedade.
Os utensílios transformaram o ato de cozinhar como ingredientes em afeto, enquanto os talheres ensinaram civilidade, etiqueta e higiene.
Conclusão
Muito antes do surgimento da civilização, os primeiros humanos dependiam do mundo natural para criar seus primeiros utensílios de cozinha.
De forma que pedras foram moldadas em lâminas afiadas para cortar carne da caça, para cortar raízes e plantas e para proteção contra animais ferozes e grupos inimigos.
Quanto aos ossos e conchas, estes serviam como pás, raspadores e até colheres primitivas.
Todos esses utensílios, a princípio rústicos, eram essenciais à sobrevivência, ajudando nossos ancestrais a processar alimentos e cozinhar em fogueiras.
O aperfeiçoamento e o desenvolvimento dessas ferramentas marcou um ponto de virada na evolução humana, permitindo um preparo de alimentos mais eficiente e para que não fosse mais necessário usar as mãos, ainda que houvesse o compartilhamento de refeições.
É notável a engenhosidade desses primeiros inventores.
Foram eles que lançaram as bases para que chegássemos aos dias de hoje usando utensílios complexos, provando que a necessidade é realmente a mãe da invenção.
Do início da Era Paleolítica, passando pela Era do Fogo, do Bronze, até os nossos dias, os utensílios de cozinha foram um projeto audacioso.
Se se levarmos em conta o processo de desenvolvimento, sua mecanização e, finalmente, sua evolução até chegar aos produtos multifuncionais que temos hoje, veremos quão importante é o ato de comer e que nos alimentar não é tão-somente satisfazermos nossas necessidades básica, mas também para nos unir, nos proteger e vivermos com saúde.
O ser humano sempre precisou de se alimentar e, devido à essa necessidade de manutenção da vida, o preparo e o consumo de alimentos ocupam um lugar central na vida e nos lares dos seres humanos desde os tempos mais remotos.
Inicialmente, o homem primeiro caçava e coletava, depois, com a vida sedentária, passou a produzir seus próprios alimentos e, posteriormente, com o desenvolvimento das técnicas de produção e culinária de alimentos, diversos tipos de utensílios começaram a surgir para serem usados no novo conceito de cozinha.
Referências
. J. A. Dias Lopes, nascido José Antônio de Vargas Dias Lopes – Dom Pedrito, 27 de março de 1943 – É escritor e jornalista gastronômico brasileiro.
Em 2013, J. A. Dias Lopes foi eleito Personalidade do Ano da Gastronomia do Brasil, pela revista WINE – Essência do Vinho, de Portugal. Autor de várias obras, como:
- A Canja do Imperador, Companhia Editora Nacional, SP, 2004, com o mesmo conteúdo histórico-culinário das crônicas no Paladar.
- A Rainha que Virou Pizza, Companhia Editora Nacional, SP, 2007.
- O País das Bananas, Companhia Editora Nacional, SP, 2014, com oitenta crônicas brasileiras, e tantas outras.
. Marc Léopold Benjamin Bloch – Lyon, 6 de julho de 1886 – Saint-Didier-de-Formans, 16 de junho de 1944. Foi um historiador francês e um dos fundadores da Escola dos Annales, uma das correntes mais importantes da história social francesa.
. Norbert Elias – Breslávia, 22 de junho de 1897 – Amsterdã, 1 de agosto de 1990. Foi um sociólogo alemão. Norbert Elias é um dos principais representantes da sociologia dos processos, também conhecida como sociologia das figurações ou Sociologia Figuracional.
. A escola dos Annales – Marc Bloch e Lucien Febre
Quando Marc Bloch e Lucien Febvre fundaram a revista Annales em 1929, eles não estavam apenas criando uma nova maneira de estudar a História, mas sim, estavam rompendo com séculos de tradição historiográfica, porque a História não é apenas o que aconteceu; não é uma sucessão de datas, uma narrativa de grandes homens e inúmeras datas. Com esses historiadores, a História passou a ser um estudo das mentalidades, uma investigação de múltiplos tempos. A História é o que permanece, o que muda lentamente e o que escapa ao olhar imediato. A partir daí, o estudo da História passou a ser a redefinição do que significa explicar o passado.
